terça-feira, 29 de novembro de 2016

Uma breve história...

Para você que gosta de literatura de cordel, é fundamental saber o surgimento de uma das leituras mais cheias de dizeres populares, que misturam desde a região de vivência de seus autores, com as fábulas contadas por eles, que vão desde fantasias a romances...
Indicamos essa breve e tranquila leitura!

Classificação folhetos de cordel

A revista Continente em seu primeiro ano de lançamento, publicou matérias especiais sobre a literatura de cordel. Tudo sobre a arte e os segredos dos folhetos. Há também, uma matéria sobre a classificação da literatura de cordel.

Onde posso achar: Biblioteca do Centro de Artes e Comunicação - UFPE

  Veja o número de chamada na etiqueta lateral.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Relação entre Trovadorismo, Martelo Agalopado e Cordel


Relação entre Trovadorismo, Martelo Agalopado e Cordel




Alguns esclarecimentos acerca da estrutura dos poemas de cordel ( cof cof Letras ... <3 )

Para aqueles mais apaixonados por literatura fica visível a proximidade da literatura de cordel com o trovadorismo e também, com o martelo agalopado, e para quem não esta familiarizado vamos mostrar um pouco da relação entre estes com a produção dos poemas de forma multidisciplinar.

A Literatura de Cordel surgiu primeiramente na forma de cantigas trovadorescas que eram acompanhadas por instrumentos musicais, versos compostos para cantar e dançar, o que facilitava ao ouvinte a memorização e assimilação do tema apresentado. A presença de rimas, as constantes repetições eram os recursos utilizados pelos compositores para que o público assimilasse o discurso inserido na obra. Não havia registro escrito, apenas a apresentação oral dos versos compostos. Muito tempo depois, com o surgimento do Humanismo, é que a poesia e a música se separaram. Atualmente, o papel dos trovadores, menestréis e jograis foi assumido por cantores e grupos musicais que fazem uso do verso e da melodia para levar seu discurso ao público.

Quanto ao martelo agalopado no dicionário Aurélio encontramos melhor a definição :

"estrofe de seis pés decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios".

Denomina-se "Martelo Agalopado" o estilo de poema criado por cordelistas e cantadores, nos improvisos ou nos textos escritos.
 


como é criado este estilo?
para que não fique algo muito analítico ( afinal nosso curso é biblioteconomia, e não letras ) vou primeiro colocar alguns exemplos :

Ninguém usa o martelo que nem eu,
Martelando o dedão largo, na ponta
Do pé chato do mano que me monta:
Sangue bom, da linhagem do plebeu,
Que Bocage e Rabelo jamais leu,
Mas que tira casquinha dum coitado
Com requinte capaz de ser cantado!
Quem foi rei nunca perde a majestade,
E eu que sou, também, súdito de Sade,
Virei rei do martelo agalopado!

(Glauco Mattoso)


Assim fica visível a rítimica do poema onde as palavras no final de cada verso rimam, e precisam ter uma distancia constante, e é nessa mesma estrutura que é criado os poemas de cordel como este :

 "O cordel veio da Europa
no fim do século passado
 no Nordeste do Brasil
 ele foi bem implantado
 e os poetas conseguiram com ele bom resultado."

 José Francisco Borges.

Foi Jaime Pedro Martelo, francês, século 17, que introduziu na literatura o verso de 10 sílabas que depois foi denominado Martelo.
Seu esquema rímico era de rimas alternadas, sem tamanho fixo de estrofes.

A partir dessa forma, o paraibano Pirauá de Lima, século 19,criou o que hoje é conhecido como Martelo Agalopado.
Seu esquema rímico seguiu o esquema das décimas: ABBAACCDDC.
Tal esquema ainda é encontrado em quase todos os martelos agalopados compostos atualmente.
Verso
O verso do Martelo e do Martelo Agalopado é uma variante de verso heróico, mantendo as tônicas nas posições 6 e 10, mas apresentando outra tônica na posição 3.
Estrofe
Dez versos decassilábicos compostos de 2 anapestos e um peônio (3, 6, 10).
Alguns versos podem apresentar a oitava sílaba subtônica, substituindo o peônio por dois iambos (3, 6, 8, 10).
Esquema rímico predominantemente mas não único: ABBAACCDDC ( por isso as cores para uma visualização mais simples ).
Nos dias de hoje, o martelo agalopado apresenta diversas variações como o martelo cruzado e martelo alagoano, que podem ser percebidas nas diversas composições da musica popular brasileira. 

Espero que tenha se tornado mais visível a relação entre o movimento literário Trovadorismo, a tipologia textual Martelo Agalopado e a Literatura de cordel.

 P.S 

*multidisciplinaridade :

 A multidisciplinaridade é entendida como a justaposição de diferentes disciplinas, que cooperam cada uma com sua metodologia e campo de saber para o estudo de um determinado problema. Diferente da interdisciplinaridade, na multidisciplinaridade essas disciplinas não interagem entre elas, nem formam uma nova disciplina, elas nem mesmo têm contato uma com a outra durante o processo. 

Até a próxima ... ;)

https://www.linkedin.com/pulse/cordel-do-sert%C3%A3o-nordestino-%C3%A0-contemporaneidade-da-internet-dourado
https://5sintonia.wordpress.com/2016/10/27/as-relacoes-disciplinares-na-biblioteconomia-interdisciplinaridade-multidisciplinaridade-e-transdisciplinaridade/



Acessibilidade da Informação


No blog mediadores de informação, composto por alunos do segundo período de biblioteconomia, mesmo quem não está a procura consegue encontrar um novo olhar a cerca da literatura e sua forma de transmissão. A literatura surda, tema pouco visto, contudo, abordado pelo blog em questão, possibilita deficientes auditivos a conhecer e amar a literatura, partilhando para todos a informação independente de limitações físicas. Com isso, demostra a importância da literatura na vida da sociedade num todo. Além disso, está disponível conteúdos de sites confiáveis com a finalidade de aprofundamento do tema e de temas relacionados. 

Biografia

Uma breve biografia sobre J.Borges 




Como falar de cordel sem citar um dos maiores ( ou maior ) cordelistas e xilógrafos de Pernambuco ( para ser mais honesta do Brasil mesmo ) o J.Borges, segue um pouco sobre a vida de uma pessoa que deu uma gigante contribuição ao letramento dos sertanejo levando criatividade, bom humor, cultura, e contribui para a disseminação dos costumes nordestinos.
J. Borges é um dos mestres da literatura de cordel. Nascido em Bezerros, município de Pernambuco, é o xilogravurista brasileiro mais reconhecido no mundo. Borges já ilustrou capas de cordéis, livros, discos, e já expôs na Venezuela, Alemanha, Suiça, México e Estados Unidos, onde foi tema de uma reportagem no The New York Times, que o apontou como um gênio da arte popular
A principio ele começou vendendo folhetos de cordel. Aprendeu a ler e a escrever para conseguir ler os versos de cordel. Publicou o seu primeiro cordel em 1964, "O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina", com ilustrações de Dila. Vendeu cinco mil exemplares em sessenta dias. O artista revela que teve que aprender a fazer as próprias gravuras para ilustrar os seus folhetos.
Também é um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina e um dos xilogravuristas brasileiros mais reconhecidos no mundo. Começou aos vinte anos, vendendo folhetos de cordel, mas antes, trabalhou na roça, foi pintor, carpinteiro, e pedreiro.

O reconhecimento veio quando o escritor Ariano Suassuna descobriu o seu trabalho e o designou como o maior artista popular do nordeste."Ariano disse que eu era o melhor, e o povo acreditou, e aí o serviço foi aumentando".

Confira um pouco mais sobre a vida e trabalho do J.Borges nesta entrevista feita ao jornal hoje (Edição do dia 30/10/2014).


Fontes : http://artepopularbrasil.blogspot.com.br/2011/01/j-borges.html ( foto )
http://jborgesbrasil.blogspot.com.br/search/label/J.%20BORGES

Até a próxima! ... :)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Catálogo de Literatura de Cordel: análise de classes temáticas diversas com autores renomados pernambucanos

*Na elaboração deste catálogo foi utilizado o método de pesquisa segundo o site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) e também outras fontes que auxiliaram na classificação de alguns autores renomados pernambucanos. 
*O catálogo foi dividido em classes temáticas (ex: meio ambiente), temas (ex: natureza) e figuras (ex: aves), totalizando cem cordéis e sete cordelistas. 
*A estrutura do material consiste em:
1- Capa; 2- Sumário; 3- Introdução; 4- Metodologia; 5- Cordelistas; 6- Classes temáticas (por ordem alfabética).
*Um dos objetivos deste documento é mostrar a vasta riqueza que a Literatura de Cordel apresenta, como seus folhetos falam de temas tão ricos e inerentes do cotidiano de cada pessoa, e também o conhecimento que o bibliotecário deve ter na hora de catalogar e classificar estes materiais.   


Aqui está o link do Catálogo que vocês poderão visualizar e também baixar!




Fonte: Imagens Google


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Xilogravura: A técnica que atravessa gerações através do cordel





“Há que junto com o cordel
sempre tem uma figura,
o que danada é essa imagem
chamada xilogravura?”

A princípio, o que é xilogravura?

Xilogravura significa gravura em madeira. É uma antiga técnica, de origem chinesa, em que o artesão utiliza um pedaço de madeira para entalhar um desenho, deixando em relevo a parte que pretende fazer a reprodução. Em seguida, utiliza tinta para pintar a parte em relevo do desenho. Na fase final, é utilizado um tipo de prensa para exercer pressão e revelar a imagem no papel ou outro suporte.

De Gutemberg ate a chegada dos portugueses no Brasil,  a xilogravura foi uma das principais técnicas utilizadas para a impressão de periódicos ,literatura, cartas de baralho, rótulos entre outros,  especificamente a técnica ainda é utilizada para a confecção de cordéis devido ao seu baixo custo.

Muitas vezes os escultores também são poetas assim facilitando a criação de suas matrizes ( para um entendimento mais fácil é a mesma logica de um carimbo ) , que são utilizadas para a confecção de ilustrações e das poesias assim sendo assegurada maior personalização do autor que participa de todas as etapas do processo de impressão.

Costuma-se associar o folheto à ilustração em xilografia que aparece em sua capa. Mas estas ilustrações são relativamente recentes. De início, o folheto apresentava na capa apenas a indicação da autoria, o título e um ou outro ornamento tipográfico. Na contra capa, vinha o endereço do autor, que quase sempre era também o vendedor de seus folhetos.

Como não se lembrar da xilogravura quando se fala de cordel?

Ficou curioso, alguns vídeos ensinando a como fazer xilogravura :


                                         

e quem disse que xilogravura só pode ser feita através de madeira ? Ou melhor , isogravura :